Na senda de recentes artigos em
que procuro enquadrar a evolução do mercado accionista num contexto financeiro
alargado, desta vez vou abordar a questão numa perspectiva mais económica. Para
tal, e como bom “financista”, recorro a variáveis dos mercados financeiros, pois
dados puramente “económicos” não são de fiar. Depois de alguma reflexão e
experiências, seleccionei um conjunto de rácios de ETFs sectoriais para o
efeito.
O primeiro rácio é composto pelo
XOI (empresas petrolíferas) e o HUI (empresas auríferas), muito na linha do meu
famoso par “Ouro/Petróleo”. A subida deste rácio está normalmente associada a
expansão económica, pois a produção de energia ganha vantagem. Apresenta-se
abaixo um gráfico com a evolução desse rácio desde 1996, quando foi criado o
HUI.
O XOI/HUI igualou há pouco um
máximo relativo alcançado em 2015 e imediatamente caiu até à MM-200d. A associação
de uma forte resistência no nível 11 com uma queda abrupta aumenta a
probabilidade de um significativo movimento correctivo, tendo em conta o que
aconteceu em situações semelhantes em 2001 e 2015. Face a este cenário,
afigura-se provável um significativo impacto negativo no mercado accionista em
geral.
O 2º rácio é composto pelo XLK (bens
tecnológicos) e XLP (bens necessários), que posso traduzir de uma forma mais
simples por “Fantasias/Mercearias”. Aqui também se pode associar a subida deste
rácio à expansão económica, quando o supérfluo ganha espaço. O gráfico abaixo
conta a história do XLK/XLP desde 1999, quando ambos foram criados.
O XLK/XLP acabou de interromper
uma tendência forte de subida de 2 anos, suportada pela MM-200d. A queda
abrupta que perfurou a linha de tendência assemelha-se muito ao que aconteceu
em 2000, no fim da euforia “TMT” (Tecnologia, Media e Telecom), contrastando
profundamente com a estabilidade verificada no entretanto. Aqui também se
afigura provável um impacto negativo no mercado accionista em geral.
O 3º rácio resulta da minha
procura por algum indicador que sinalizasse a subida do mercado accionista até
às vésperas da crise de 2008, pois os anteriores não o fazem. Acabei por
encontrá-lo no rácio entre o XLE (empresas energéticas) e o XLI (empresas industriais),
melhor apreendido pela expressão “Carvão/Combustão”. Assim, o que se passou
entre 2004 e 2008 foi uma dinâmica brutal do sector energético que não foi
acompanhado pelo sector produtivo.
Desde 2008 para cá o XLE/XLI caiu
gradualmente até atingir o mesmo nível estável que tinha antes de 2004. A
estabilidade mantida desde o início de 2017 torna cada vez mais provável a
repetição do período anterior a 2004, o que teria um impacto neutral no mercado
accionista em geral. Assim, junta-se um voto nulo do “carvão/combustão” aos
votos negativos do “petrolífero/aurífero” e do “fantasia/mercearia”!


